segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Quando digo de mim



Quando digo de mim
há um bocal ofuscado que me suga
nos beirais dos olhos insanos
um ciclo perigoso cola-se ao peito
e desdiz as mares secas dos olhos

Quando digo de mim
da ponta do espinho solta-se
o reverso do tempo por onde escorre
enxames de beijos roubados
presos à boca.

Alucinando…

Quando digo de mim
o aço estremece
na lisura dos dedos febris
e as partículas adormecidas
gemem ao lado do vento
famintas de ti

Quando digo de mim
calo-me num rosário aceso
na sombra da noite

Escrito a 14/11/14


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Deita-te sobre o manto rubro com que me cubro


Deita-te sobre o manto rubro com que me cubro
embriaga-te nos fios dourados em que se entrelaçam o meu olhar
adormece nos poros húmidos do tempo…

 Silenciosamente
prende-me à tua mente de sonhador
e leva-me por entre o vento, endeusando-me sem pudor

 Deita-te sobre o manto rubro com que me cubro
esvoaça-te em gestos lentos… selváticos de cor
não tenhas pressa, amor deixa-me morrer por entre as palavras
e os sussurros num poema que já não é meu 

Deita-te sobre o manto rubro com que me cubro
e deixa-me sentir…o tempo que se perdeu


 Escrito a 2/11/14

 :

sábado, 30 de agosto de 2014

As palavras secam-se nas entranhas do palato


As palavras secam-se nas entranhas do palato
o silêncio descreve esta inercia
que catapulta de mim

Reinvente-a …

Sussurra as paginas brancas do poema
ouço-me na brandura do verso
em ninhos emaranhados de ilusões
asas soltas nas palavras por escrever
sois bravios colorindo horizontes
da cor dos olhos meus

Reinvente-a ..

Gesticula as mãos translucidas da poesia
fadando o corpo teu
na longura diáfana da mente perdida
e as palavras nascem sem ecos
na sombra do verbo por dizer

Reinvento-te
no silencio da noite
desnuda de mim


Escrito a 27/07/14

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A mágoa antiga das lágrimas


Não quero mais perceber o silêncio da palavra
nem o gesto incompreensível do corpo por espreitar
quero soltar esta lava que queima escondida
no fundo escorreito do meu olhar

pois que fiquem os poemas com ansias de vida
e as mãos a amparar  a mágoa antiga das lagrimas

[quão doce é os contornos delineados nas sombras]

Escrito 13/08/14

sábado, 2 de agosto de 2014

No contorno dos lábios


Num ápice cai o silêncio
no contorno dos  lábios,
o soluço
espontânea e vigorosa torrente
que cai sem saber dos rios
que dançam na alma
feito mares de ondas levadiças
e espumosas
pernoitando
as enseadas da pele lívida

e a noite adormece
no amanhecer fusco do dia
sem saber de si
branda brisa que cobre a cidade
feita ninho
no parapeito dos prédios
calados


Escrito 1/08/14

sábado, 17 de maio de 2014

Num foliar de melodias


Deixa-me perder-me
no murmulhar ensurdecedor das ondas
onde se sente a macieza translucida dos sons
pernoitar a pele enclausurada de silabas

Deixa-me visitar-te
antes que as heras cubram o meu corpo
e a palidez das horas escorram por entre as mãos
num foliar de melodias transversas á pele, quente

Deixa-me abraçar-te
em gemidos transeuntes de sol
num tiritar de pássaros que habitam em mim
debicando inquietos, os sonhos cilíndricos
que devoram o meu corpo, num antro de loucura

E dá-me a leveza das palavras com que arquitetas
os versos que pincela o teu peito robusto de tons

Calo-me… e abandono-me á fúria dos ventos
que me arranca de ti


Escrito a 14/05/14


segunda-feira, 3 de março de 2014

São dos meus passos a marca da vida


Alongo a janela em que me olho,
para alem da noite,
na insipidez da brisa que beija o silencio
em que se embebeda o corpo,
num destilar de paixão, no areal das horas frias

Já não possuo a limpidez dos versos
nem me visto de calidez primaveril
sou somente o cogitar de quimeras
na longura alva do tempo em que me sinto tua

São dos meus passos a marca da vida
dos prados verdes em que me percorro, lassa
num encaminhar de palavras,
de imensas filas de folhas vazias, perdidas
na brandura rubra dos meus dedos famintos

São dos meus passos a marca da vida
com que olho o interior do tempo que me aprisiona
e  faz-me sentir  tão tua



Escrito a 22/02/14


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Paginas emprenhadas


Crivo-me de ansias, no limiar do desejo
sinto-te raiz enroscada no meu corpo
em seiva bruta despetalo-me febril
num  abraço profundo em teu dorso

esvoaça-me asas de beija-flor, tremulas
no enroscar da face um beijo suave
e estremeço qual flor lançada ao vento
no estio rubro de madrugadas quentes

ato gemidos num mapear  de caricias
no  entrelaçado húmido dos poros
da pele una dos corpos distantes

e num rodopiar de versos alados
reescrevo em paginas emprenhadas
a melodia deste meu triste fado


Escrito a 28/01/14

domingo, 19 de janeiro de 2014

É o fonema da alma do corpo sagrado


 Voo até que as asas se quebrem
até que não haja mais dia, nem noite,
até que o vento esvoace o pó rubro do corpo
levitando na agrura dum sono meu
é o fonema da alma do corpo sagrado
dos angélicos sonhadores,  despidos de pele
num ancorado rebordo da  mente lívida

Será a poesia petrificada dum ensejo nominal
vigoroso voo,
na ultima caminhada perto do céu
rascunho de azul,
perdido no eco purpura do som
melodia de pássaros enfaixados
nas nuvens escorreitas
à luz da matina, lusco-fusco,
dum horizonte longínquo
num eco sonoro de bramidos tons,
debaixo das cores que cobrem o meu corpo,
num reflexo tardio  que se perdeu



Escrito a 19/01/14

sábado, 11 de janeiro de 2014

Dorme no meu peito as asas do tempo



















Dorme no peito as asas do tempo
em gestos suspensos à porta do silencio
a boca calada de beijos, pendurados
nas vagas agitadas dos olhos famintos

Dorme no peito o dorso do sonho
cansado e sovado pela renúncia do som
cai nas mãos delineando-se em grito
nas rasuras infindas da mente proscrita

Dorme no peito a cor do poema
palavras sepultadas nos lábios rubros
frases arqueadas pelo sabor do gosto
degustado na pele seca de fonemas

E dorme no meu peito as asas do tempo,
feito folhas brancas soltas no vento, nuas


Escrito a 08/01/14

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Adormeço nas folhas caidas


Adormeço nas folhas caídas
no embernar fluido dos dias
leve é o vento que geme
na alma de mim, esquecida

Teço asas coloridas
na cor cinzenta da noite
voo em arrojos perdidos
no dorso duro da vida

Flutuo nas encostas orvalhadas
dos vales cavados do fado
aspiro de uma só assentada
a história d`um amor roubado

Na tez navega o gozo
dum beijo dado pelo vento
molhados são os lábios que chama
o nome do seu doce lamento

e adormeço nas folhas caídas
arrancadas pelo próprio tempo


Escrito a 24/11/13

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

E as estampas gravitam numa tela a preto e branco


Encolho-me indiferente neste aplanar de dias
onde as horas são pontos movendo-se no tempo
dum pêndula envelhecido, guinando gemidos
de um designo qualquer, em busca de mim e de ti

Esgueiro-me por ai, num ponto escuro da noite
onde a lua não se despe, nem se ri...num silêncio insano
e a placidez da mente, adormece a luz estupidamente

Bordo sussurros nas pálpebras, num cintilar de espelhos
banidos de um qualquer momento vivido, algures de mim
tocam-se as constelações mortiças, na berma do cosmos
formam-se desejos e segredam-se caricias na ponta do olhar

[e as estampas gravitam num tela a preto e branco]


Escrito 23/08/13

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Adormeço lagrima esguia

   Adormeço lagrima esguia
gota ansiada na boca seca
blasfemos sentires desgarrados
devorando o sonho agonizante

no hiato do medo transforma-se
em marasmos incorporados
nas aselhas profundas da iris
em confluências
de desacatos neurais

quimeras oxigenadas de bolores
libertas na ferrugem das ondas
nuances de cores, rascunhando
o corpo albergue d`amor.


Escrito a 12/06/13
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

...nas mãos esbeltas d`um louco amor errante

A manha enlouquece nas mãos esbeltas
d`um louco amor errante cativo do tempo
e as pétalas nos corpos brancos resvalam-se
despindo-os sôfregas numa volúpia quente

São horas de despudorados aconchegos mil
nas bocas salivantes gemendo momentos,
e os asteriscos saltitantes, perdem-se nús
nos olhos chamejantes de aromas, do rosto teu

A voz embarga-se num rouco vagir, ciciado
nos lençóis cobertos dum querer escarlate
e as horas inundam pueris os corpos desnudos
num precipício alucinante da doce palavra “céu”

Escrito 12/12/12